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VEADOS IBÉRICOS SÃO ÚNICOS NA EUROPA
Num artigo publicado hoje pela prestigiada revista PLOS ONE uma equipa internacional liderada pelos investigadores do CIBIO-InBIO, João Queirós e Paulo Célio Alves, revela que os veados da Península Ibérica são o resultado de uma história evolutiva divergente das demais populações europeias.
 

O veado, Cervus elaphus, é o maior herbívoro selvagem dos ecossistemas ibéricos e habita toda a Eurásia. Contudo, no passado a espécie sofreu grandes oscilações na sua distribuição geográfica e há cerca de 27-19 mil anos, num período de condições climáticas extremas conhecido como último máximo glaciar do Plistoceno, somente algumas populações sobreviveram em zonas denominadas refúgios - regiões onde as condições do clima eram favoráveis à sobrevivência das espécies de clima temperado. A Península Ibérica é reconhecida como um destes refúgios.


O estudo agora publicado evidencia que, ao contrário do que se pensava, as populações atuais de veados encontradas no centro e norte da Europa, não tiveram origem na Península Ibérica, mas sim noutro refúgio glacial localizado a norte dos Pirenéus.


A história contada pelo ADN


O estudo sugere ainda que as populações de veados da Península Ibérica têm características genéticas únicas. Para chegar a esta conclusão os investigadores recolheram dados genéticos de diferentes porções do ADN, a mais de 900 veados espalhados pela Península Ibérica e outras regiões da Europa. “As análises apontam para uma clara diferenciação genética entre as populações contemporâneas de veados ibéricos e europeus. Esta divergência terá ocorrido entre 27 e 19 mil anos atrás, o que coincide com o último máximo glaciar do Plistoceno”, informa João Queirós, primeiro autor do artigo.


Os autores combinaram os dados genéticos com registos fósseis e modelos ecológicos para estimar, ao longo dos últimos 120 mil anos, as áreas que reuniam as melhores condições ambientais e maior potencial para a ocorrência do veado. João Queirós explica que “ao integraros diferentes dados, observamos que muito provavelmente as populações dos refúgios a norte do Pirenéus e a sul, na Península Ibérica, terão ficado isoladas e expandido em direções opostas após o último máximo glaciar”.


Paulo Célio Alves, investigador do CIBIO-InBIO e professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, explica que “milhares de anos de isolamento geográfico entre as populações ibéricas e as restantes populações europeias, e a consequente evolução e adaptação que ocorreram de maneira independente nos diferentes ecossistemas, traduzem-se hoje numa evidente diferenciação genética entre o veado ibérico e o veado europeu. Estes resultados indicam que as populações de veados da Península Ibérica têm características genéticas únicas que devem ser preservadas”.

 

O futuro do veado ibérico


Durante o inicio do Século XX, os veados da Península Ibérica sofreram uma redução drástica na sua distribuição geográfica, desta vez resultante da sobre-exploração pelo homem. No entanto, a partir de meados do século passado, com a regulação da caça e o fomento da espécie em Espanha, as populações de veado sofreram uma grande expansão geográfica.


O artigo agora publicado, que conta com a participação de mais sete instituições nacionais e internacionais, entre elas o IREC (Universidad de Castilla – La Mancha & CSIC, Espanha), traz um importante contributo para a gestão e conservação desta espécie. Ao evidenciar a singularidade genética presente nos veados da Península Ibérica, o estudo demonstra que será preciso seguir novas diretrizes na gestão das populações de veados.


De acordo com os autores, “acções como a introdução de veados de outras regiões da Europa, com características genéticas distintas, podem constituir uma ameaça à sobrevivência das populações da Península Ibérica. Apenas assegurando o património genético único dos veados ibéricos e a sua elevada diversidade genética será possível, no futuro, ter populações viáveis e com capacidade adaptativa suficiente para suportar as alterações climáticas e eventuais agentes patogénicos emergentes”.


Artigo original: Queirós J, Acevedo P, Santos JPV, Barasona J, Beltran-Beck B, González-Barrio D, Armenteros JA, Diez-Delgado I, Boadella M, Mera IF, Ruiz-Fons JF, Vicente J, Fuente J, Gortázar C, Searle JB, Alves PC (2018) Red deer in Iberia: molecular ecological studies in a southern refugium and inferences on European postglacial colonization history. PLOS ONE. DOI: 10.137/journal.pone.0210282

 

Imagens:
Imagem 1. Veados (Cervus elaphus) no Parque National de Cabañeros, Espanha | Créditos de imagem: Christian Gortazar
Imagem 2. Veados (Cervus elaphus) em Quinto de Mora, Espanha| Créditos de imagem: Jose Angel Barasona

Posted in 2019-01-11