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Águia-pesqueira: O início do regresso
Confirmada a presença de um casal reprodutor na Costa Vicentina e do regresso à Barragem de Alqueva de aves libertadas no âmbito do projecto de reintrodução português, conduzido pelo CIBIO/InBIO com o financiamento da EDP.
 

 

Passados treze anos desde a última observação de uma águia-pesqueira que se reproduziu em território nacional, o malogrado número converte-se em presságio de boa sorte, com a recente confirmação da presença de um casal reprodutor na Costa Vicentina e do regresso à Barragem de Alqueva de aves libertadas no âmbito do projecto de reintrodução português, conduzido pelo CIBIO/InBIO com o financiamento da EDP.

 

 

Na passada semana, uma equipa de investigadores do CIBIO-InBIO/Cátedra EDP-Biodiversidade, conseguiu identificar com sucesso um macho e uma fêmea adultos de águia-pesqueira, que ocupam um ninho detectado no Outono do ano passado, e que já na altura se suspeitava ser de “Guincho”, o nome vernáculo português atribuído a este espécie que, com o seu desaparecimento, acabou por cair em desuso. Este extraordinário relato do regresso desta magnífica ave a Portugal reflecte o impacto dos esforços concertados para a sua reintrodução na região mediterrânica, levados a cabo em Espanha (Andaluzia e País Basco), Itália e Portugal.

 

 

A águia-pesqueira, como é actualmente conhecida em Portugal a espécie Pandion haliaetus, deixou de se reproduzir no nosso país em 1997, com a morte acidental da fêmea reprodutora do último casal que se reproduzia na costa vicentina, depois do desaparecimento progressivo das populações da costa continental da Europa Mediterrânica. Cinco anos mais tarde, em 2002, foi observado pela última vez o macho deste casal.

 

 

A APOSTA NA RECUPERAÇÃO DA ESPÉCIE
Os excitantes indícios do regresso da águia-pesqueira a Portugal surgem como resultado de um sério investimento colaborativo na recuperação desta espécie na região mediterrânica. Com efeito, depois da reintrodução de alguns animais na Andaluzia em 2003, e três anos depois em Itália, foi a vez de Portugal e o País Basco avançarem também nesse sentido, em 2011 e 2013, respectivamente. Ao todo, foram libertados na Península Ibérica 125 juvenis na Andaluzia, a que se juntam os 40 já libertados em Portugal (na barragem de Alqueva) e os 23 no País Basco. Esta reintrodução é uma tentativa de reconstituir a população ibérica da espécie. Os animais que conseguirem sobreviver até à idade adulta constituirão um contingente de potenciais reprodutores, como comprovado pelos 13 casais instalados na Andaluzia no ano passado. O projecto português está a ser desenvolvido na Barragem de Alqueva por investigadores e técnicos do CIBIO-InBIO, com o apoio financeiro exclusivo da EDP.

 

 

O REGRESSO AO NINHO EM PORTUGAL
O primeiro registo fotográfico de uma das aves libertadas na barragem de Alqueva foi feito no ano passado. Ainda que esse animal não tenha sido novamente avistado, foram recentemente fotografadas duas aves – machos, aparentemente - libertadas no âmbito do projecto português de reintrodução, uma na barragem de Alqueva e outra na barragem do Pedrógão. Ou seja, apenas 4 anos após o início do projecto os animais libertados estão a regressar ao local onde se reproduziram pela última vez em Portugal. Sendo os machos os precursores dos territórios de reprodução, estes dados sugerem a possibilidade de assistirmos brevemente à instalação dos primeiros casais reprodutores. Segundo o investigador Luís Palma, “estão agendadas para breve novas monitorizações nas duas barragens, com vista a se conseguir identificar os indivíduos observados e verificar se existem tentativas de definição de territórios de reprodução”.

 

Mas as boas notícias não se esgotam por aqui! Em Setembro de 2014 foi encontrado na Costa Vicentina um ninho que parecia pertencer a esta espécie e ter sido ocupado na primavera desse ano. No passado dia 13 de Abril, com a observação de um casal reprodutor, foi possível confirmar estas suspeitas. Uma vez que os animais adultos não estão anilhados, não é possível saber qual a população de origem. Contudo, atendendo a que existe uma conexão entre as várias populações mediterrânicas, o que se pode seguramente afirmar é que, após tantos anos de ausência da costa portuguesa, a presença destes animais nesta região é um efeito dos projectos de reintrodução que têm vindo a ser desenvolvidos. Como explica Luís Palma, “tratando-se ou não aves reintroduzidas em Portugal, a sua capacidade de reocupação do território perdido decorre certamente do fluxo de indivíduos entre as populações mediterrânicas, representado um contributo decisivo destes programas concertados de recuperação”.

 

 

UM FUTURO A CONSTRUIR
A agora conhecida reinstalação deste primeiro casal num Parque Natural da costa portuguesa acarreta uma enorme responsabilidade para Portugal: torna-se absolutamente urgente implementar medidas de gestão do litoral que permitam conciliar a presença humana, nomeadamente no que se refere à exploração recreativa do local, com a recuperação e conservação da avifauna. “Este ordenamento, que não chegou entretanto a existir, é fundamental para permitir a reconstituição de uma população reprodutora de águia-pesqueira ao longo das várias áreas costeiras protegidas, e não deixar que este casal seja apenas mais um efémero episódio da história da espécie em Portugal”, afirma Luís Palma. Fica desta forma dado o alerta para a necessidade de se empreenderem acções concretas com vista a evitar que, como até agora, reste unicamente no futuro o nome de Guincho e seus derivados na toponímia costeira.

 

 

Imagens

Imagem 1 e 2: Créditos - Luís Palma

Imagens 3 e 4: Créditos - Manuel Cascalheira

 

Posted in 2015-04-30