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ESTUDO SALIENTA A IMPORTÂNCIA DAS ÁREAS AGRÍCOLAS DE ELEVADO VALOR NATURAL PARA A SOCIEDADE E RECOMENDA ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR PARA A SUA PRESERVAÇÃO
Um artigo publicado na prestigiada revista Frontiers in Ecology and the Environment por uma equipa internacional liderada por investigadores portugueses do CIBIO-InBIO, avança com orientações para promover a sustentabilidade sócio-ecológica das Áreas Agrícolas de Elevado Valor Natural no contexto global.
 

 

A expansão da agricultura e a intensificação das práticas agrícolas estão entre as principais causas das alterações ambientais globais. Contudo, muitas paisagens agrícolas possuem valores relevantes de biodiversidade, incluindo espécies e habitats de elevado valor para conservação. Consequentemente, para além de contribuírem para a produção de alimento e fibras, estas paisagens, conhecidas na Europa como Áreas Agrícolas de Elevado Valor Natural, são responsáveis pela manutenção de elevados níveis de (agro)biodiversidade e prestam inúmeros serviços de ecossistemas (como por exemplo gestão do risco de inundação, prevenção da erosão dos solos, redução do risco de fogos selvagens, e manutenção de valor cultural) dos quais depende o bem-estar da sociedade.

 

Mais de 30% da área agrícola na União Europeia é considerada de Elevado Valor Natural, e o reconhecimento da importância destas paisagens remonta já à década de 90. Outras paisagens agrícolas dispersas por várias regiões do globo albergam também um inestimável património natural, social e cultural, como as paisagens Satoayama no Japão, os sistemas de produção agrícola localizadas na região Western Ghats na índia, ou os socalcos Hani no Sul da China.

 

Globalmente verifica-se que a extensão e a condição das Áreas Agrícolas de Elevado Valor Natural têm vindo a sofrer um considerável declínio, devido quer à intensificação, quer ao abandono da agricultura, o que tem provocado a erosão deste património natural, social e cultural de forma preocupante. Reverter esta tendência global de declínio terá de passar, inevitavelmente, por aumentar o reconhecimento público dos inúmeros bens e serviços públicos que estas paisagens fornecem à sociedade, bem como melhorar a compensação aos agricultores que continuam a manter estes sistemas de produção.

 

De acordo com Ângela Lomba, investigadora do CIBIO-InBIO e líder do consórcio, as ‘Áreas Agrícolas de Elevado Valor Natural constituem um património importante e podem apoiar a sociedade na resolução de desafios socioecológicos atuais e futuros’. ‘Contudo a mudança é inevitável e é necessária uma mudança de paradigma social para assegurar que as Áreas Agrícolas de Elevado Valor Natural e os sistemas de produção responsáveis pela sua manutenção sejam socioeconómica e ecologicamente viáveis no futuro e, ao mesmo tempo, apelativos às gerações futuras’.

 

O consórcio de 11 autores, que incluiu investigadores portugueses do CIBIO-InBIO e ICAAM (Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas) trabalhando em parceria com colegas da Alemanha, Escócia, França, Holanda, e Irlanda, discutem as consequências de cinco cenários expectáveis do futuro das Áreas Agrícolas de Elevado Valor Natural, de acordo com diferentes níveis de intensidade da gestão agrícola e viabilidade socioeconómica, incluindo o abandono e a intensificação da agricultura.

 

Os autores apresentam ainda propostas para promover a viabilidade sócio-ecológica das Áreas Agrícolas de Elevado Valor natural, incluindo um conjunto de orientações a serem implementadas para a manutenção destas paisagens, entre as quais se incluem a melhoria dos serviços públicos disponíveis às comunidades rurais, o desenho de novos usos para os bens produzidos, ou o desenvolvimento e promoção de novas oportunidades de negócio associadas às explorações agrícolas de elevado valor natural.

 

Francisco Moreira, investigador do CIBIO-InBIO e coautor do artigo agora publicado, explica que ‘esta alteração no paradigma implica uma mudança das estratégias atualmente estáticas e setoriais, baseadas em apoios financeiros à produção oferecidos aos agricultores, para novos mecanismos de incentivo integradores e à escala da paisagem, focados no fortalecimento da relação entre pessoas e natureza para promoção da sustentabilidade sócio-económica e sócio-ecológica dos sistemas de produção de elevado valor natural’.

 

Artigo original: Lomba, A., Moreira, F., Klimek, S., Jongman, R. H., Sullivan, C., Moran, J., Poux, X., Honrado, J. P., Pinto-Correia, T., Plieninger, T., McCracken, D. Back to the future: rethinking socioecological systems underlying high nature value farmlands. Frontiers in Ecology and the Environment, Doi: 10.1002/fee.2116.


Imagens: Imagens 1 e 2. Áreas agrícolas de elevado valor natural em Portugal; (1), (2) Montados| Créditos de imagem: Ângela Lomba (Imagem 1, esquerda), Teresa Pinto-Correia (Imagem 2, direita)

Posted in 2019-12-23