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DADOS SOBRE A BIODIVERSIDADE DE AVES NO ESTUÁRIO DO MONDEGO AO ALCANCE DE TODOS!
O programa de monitorização de aves aquáticas invernantes no Estuário de Mondego, coordenado pelo investigador do CIBIO-InBIO Ricardo Jorge Lopes, acaba de lançar o seu site, onde disponibiliza ao público dados inéditos sobre a biodiversidade das espécies registadas ao longo dos últimos 26 anos.
 

Todos os anos, durante o inverno, milhares de aves aquáticas migram para zonas mais temperadas em busca de climas mais amenos. Esta é a melhor altura para se fazer um recenseamento detalhado das populações de aves aquáticas, incluindo muitas espécies que nidificam nas zonas árticas. Estes censos ocorrem à escala global, envolvem centenas de investigadores e voluntários de diversas instituições, e permitem estimar o tamanho das populações de aves e como evoluem ao longo do tempo.

 

O programa de monitorização de aves aquáticas no estuário do Mondego realiza este recenseamento há 26 anos e, no contexto das comemorações do dia Mundial das Zonas Húmidas (dia 2 de Fevereiro), acaba de lançar um website onde estão disponíveis ao público os dados recolhidos.

 

Conhecer a biodiversidade ao longo do tempo

Desde 1994, no âmbito do Censo Internacional de Aves Aquáticas (Wetlands International) e do Programa Nacional de Monitorização de Aves Aquáticas Invernantes (ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas), são contadas anualmente, em Janeiro, todas as aves aquáticas que invernam no Estuário do Mondego.

 

“Quando iniciámos as contagens em 1994, no âmbito dos nossos objectivos de investigação, apercebemo-nos que a longo termo os dados obtidos poderiam ser únicos a nível português, devido à sua qualidade e persistência temporal. Por um lado, o Estuário do Mondego é relativamente pequeno, o que permite contar com exatidão todas as aves presentes, o que não é possível em estuários maiores. Por outro lado, as nossas contagens foram sempre feitas com a mesma metodologia e voluntários, o que torna os nossos dados muito robustos”, explica o investigador do CIBIO-InBIO e coordenador do programa, Ricardo Jorge Lopes.

 

Os dados do Programa de Monitorização no Estuário do Mondego, agora disponíveis, são a série temporal mais longa e consistente sobre a abundância de aves invernantes num estuário português. As informações reunidas ajudam a perceber a importância do Estuário do Mondego para as aves aquáticas e já contribuíram para a designação deste Estuário como Zona Ramsar (Zona Húmida de Importância Internacional) em 2006, e como IBA (Área Importante para as Aves e Biodiversidade) em 2005.

 

Quantas são, de onde vêm e “para onde vão” as aves aquáticas?

Já foram contabilizadas mais de 62 mil aves pertencentes a 25 espécies, vindas principalmente do Norte da Europa, Islândia, Gronelândia e Sibéria. Estes dados contabilizam o grupo mais abundante de aves aquáticas neste estuário, geralmente conhecido por aves limícolas. Os dados sobre as restantes aves aquáticas serão brevemente disponibilizados. Segundo Ricardo Jorge Lopes, ao longo destes anos de monitorização “para além do aumento no número total de aves limícolas, foi interessante observar o aumento da abundância de algumas espécies. Por exemplo, o flamingo (Phoenicopterus roseus) e a garça-branca-grande (Egretta alba) são espécies que começaram a utilizar o estuário assiduamente. O pernilongo (Himantopus himantopus), que nidifica nas salinas do estuário e migra para áreas mais meridionais, começou a ser observado em Janeiro, o que pode indicar mudanças nas suas estratégias de migração. Mas nem tudo são boas notícias, porque para algumas espécies houve diminuições drásticas, como é o caso do alfaiate (Recurvirostra avosetta)”.

 

O Programa de monitorização, que para além do CIBIO-InBIO teve o apoio do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), vai continuar a realizar as contagens no Estuário do Mondego, bem como em outros estuários nos próximos anos. Ricardo Jorge Lopes pretende ainda promover a disponibilização dos dados nacionais, para que seja possível identificar as espécies que podem estar em declínio, e com isso contribuir para a gestão efectiva das populações locais e para a conservação das aves aquáticas.

 

 

Para saber mais sobre o Programa de Monitorização de Aves Aquáticas do Estuário de Mondego:Mondego Estuary International Waterbird Census

 

 

Imagens:

Imagem 1. O investigador do CIBIO-InBIO, Ricardo Jorge Lopes, durante o censo de 2019 | Créditos de imagem: Tiago Múrias

Imagem 2. O estuário do Mondego| Créditos de imagem: Ricardo Jorge Lopes.

Imagem 3. Flamingos (Phoenicopterus roseus no estuário do Mondego | Créditos de imagem: Ricardo Jorge Lopes.

 

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Posted in 2019-02-05