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Climate change can lead to the extinction of the Iberian Lynx, regardless of existing conservation efforts
Num novo estudo publicado pela revista Nature Climate Change uma equipa de investigação internacional coordenada por Miguel Araújo, investigador do CIBIO
 
  • Num novo estudo publicado pela revista Nature Climate Change uma equipa de investigação internacional coordenada por Miguel Araújo, investigador do CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos/InBIO Laboratório Associado, concluiu que os esforços para proteger o felino mais ameaçado do mundo poderão ser comprometidos, caso os efeitos das alterações climáticas não sejam considerados na definição de estratégias de reintrodução da espécie.

  • Este estudo fornece a análise mais abrangente dos efeitos das alterações climáticas na dinâmica populacional e conservação de um vertebrado ameaçado.

 

 

O Lince Ibérico

 

O Lince Ibérico é o felino mais ameaçado do mundo, estimando-se que existam atualmente menos de 300 indivíduos em ambiente natural. Os recentes declínios no número destes animais têm estado associados a reduções acentuadas nas populações regionais da sua principal presa: o coelho-bravo. Estas devem-se, principalmente, a duas doenças que afectam a espécie: a mixomatose e a doença hemorrágica viral. Nos anos 90, tinha-se conhecimento da existência de nove populações de lince ibérico; atualmente, apenas persistem duas na natureza.

Desde 1994, investiram-se mais de 90 milhões de euros em estratégias de conservação com vista a diminuir o risco de extinção deste animal carismático. Os esforços passam pela gestão do habitat, redução da mortalidade causada pelo homem e, mais recentemente, a translocação – transferência de indivíduos para locais mais favoráveis. O objectivo é facilitar a reintrodução de um grupo geneticamente diverso de linces ibéricos em áreas onde se sabe que a espécie esteve presente recentemente.

 

 

As alterações climáticas podem levar o lince ibérico à extinção


Embora a abundância das populações de lince tenha aumentado nos últimos dez anos em resposta à gestão intensiva da espécie, o estudo adverte que as estratégias de conservação em curso poderão garantir apenas algumas décadas de sobrevivência, antes que a espécie desapareça. “O nosso estudo mostra que as alterações climáticas podem levar a um rápido e severo declínio na abundância do lince lbérico nas próximas décadas, e provavelmente à extinção desta espécie na natureza dentro de 50 anos”, refere Damien Fordham, primeiro autor do artigo e investigador do The Environment Inst. and School of Earth and Environmental Sciences, University of Adelaide, na Austrália. De acordo com o Fordham, “os actuais esforços de gestão poderão ser inúteis se não tiverem em conta os efeitos combinados das alterações climáticas, uso da terra e abundância de presas na dinâmica populacional do lince ibérico".
Este estudo é o “primeiro a modelar explicitamente interacções tróficas de espécies, tais como predadores e presas, num cenário de alterações climáticas", explica Miguel Araújo, coordenador do estudo e do pólo do CIBIO/InBIO na Universidade de Évora, como titular da Cátedra “Rui Nabeiro” Biodiversidade. “Os modelos usados até agora para investigar a forma como as alterações climáticas vão afectar a biodiversidade, têm sido incapazes de capturar o feedback dinâmico e complexo das interacções que se estabelecem entre espécies. Através do desenvolvimento de novos métodos de previsão, conseguimos, pela primeira vez, simular respostas demográficas de lince ibérico a padrões de abundância de coelho-bravo condicionados por doenças, alterações climáticas e mudanças no ordenamento do território". Miguel Araújo enfatiza que "O modelo levou mais de 5 anos a ser implementado e só foi possível graças a uma colaboração internacional com especialistas da Europa, Austrália e EUA".


Os resultados dos modelos são surpreendentes e também motivo de preocupação. “É provável que o habitat no sudoeste da Península Ibérica, onde persistem duas populações de lince ibérico, se torne inóspito para a espécie em meados deste século”, afirma Alejandro Rodrígues, investigador do Consejo Superior de Investigaciones Científicas e do Museo Nacional de Ciencias Naturales, Madrid, Espanha. “Os actuais planos de reintrodução do Lince Ibérico estão direccionados para o Sul de Portugal e Espanha. No entanto, a sobrevivência da espécie a longo prazo depende de que seja considerada a reintrodução em refúgios ecológicos de maior latitude ou altitude na Península Ibérica. Uma vez que os dados existentes, incluindo registos fósseis, sub-fósseis e históricos, sugerem que o lince já ocorreu noutros locais da Península Ibérica, as reintroduções ainda podem ser feitas na área de ocorrência histórica da espécie”, conclui Rodríguez.


“O aumento no número de linces ibéricos sugere que a gestão intensiva do habitat e das populações de coelho-bravo trabalharam como estratégias de conservação eficazes a curto prazo. No entanto, o pequeno tamanho da população significa que a espécie continua ameaçada e susceptível a futuros declínios populacionais", afirma Barry Brook, biólogo que investiga alterações globais e professor de Ciências do Clima no Environment Institute, University of Adelaide. "Isso significa que a espécie é muito vulnerável a mudanças na qualidade do habitat e na abundância da sua presa, devido às alterações climáticas".


"Naturalmente há incertezas sobre as alterações futuras do clima, especialmente em termos de impactos regionais", explica Miguel Araújo. "No entanto, se os conservacionistas estão a pedir aos governos para mudar as suas políticas macroeconómicas de forma a mitigar a mudança climática, o que poderá implicar um custo elevado para alguns sectores da sociedade, é difícil entender porque razão ainda é dada uma atenção limitada às alterações climáticas em programas de conservação de espécies. A nossa investigação fornece um exemplo de como a antecipação dos efeitos das alterações climáticas na conservação pode ajudar a salvar uma espécie da extinção. A necessidade de decisões de conservação que tenham em conta o clima encontra-se bem disseminada e deveria fazer parte de uma prática comum”, conclui Miguel Araújo.

 

Artigo original: Fordham, D.A., Akçakaya, H.R., Brook, B.W., Rodríguez, A., Alves, P.C., Civantos, E., Triviño, M., Watts, M.J. & Araújo, M.B. 2013. Adapted conservation measures are required to save the Iberian Lynx in a changing climate. Nature Climate Change. Doi: 10.1038/nclimate1954

 

Disponível a partir do website da revista Nature Climate Change: http://dx.doi.org/10.1038/nclimate1954

 

Image Credits: Copyright: CSIC Andalusia Audiovisual Bank. Author: Héctor Garrido.

Posted in 2013-07-19
 
 

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