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AVANÇOS TECNOLÓGICOS NA AGRICULTURA NÃO SÃO SUFICIENTES PARA PRESERVAR A BIODIVERSIDADE
Num artigo publicado hoje pela prestigiada revista Nature Ecology & Evolution uma equipa internacional, liderada pelo investigador do CIBIO-InBIO Henrique Pereira, discute de que maneira o uso do solo influencia a biodiversidade e os serviços ecossistémicos e revela que este impacto mudou ao longo do tempo. O estudo demonstra que apesar do uso do solo ter se tornado mais eficiente nos últimos anos, o dano total ao ambiente aumentou.
 

A população mundial e a economia global estão a crescer e também a busca por alimento e bens de consumo. Como resultado, mais e mais terras são necessárias e a natureza acaba por ser convertida em campos de cultivo e plantações florestais: uma ameaça à biodiversidade. A solução habitual dos especialistas a este desafio de sustentabilidade é promover a eficiência agrícola e florestal por através dos avanços tecnológicos. Mas será esta estratégia suficiente?

 

No artigo agora publicado, a equipa de investigadores analisou o papel que o crescimento populacional e o desenvolvimento económico desempenham na perda de biodiversidade e serviços ecossistémicos, à escala global e ao longo do tempo. Para isso recorreram ao uso de modelos económicos e a dados sobre a biodiversidade, o uso do solo e o processo de captura do gás carbónico (CO2), também conhecido como sequestro do carbono, referentes ao período de 2000 a 2011. Os resultados revelaram pela primeira vez como o impacto do uso do solo sobre a biodiversidade mudou com o tempo.

 

Produzir e preservar
O estudo agora publicado mostra que a crescente população mundial e a expansão da economia global resultaram num aumento do uso do solo globalmente. Os resultados indicam também que o dano ambiental por dólar ganho diminuiu em todo o mundo, o que significa que o uso do solo é agora mais eficiente. Contudo, o crescimento económico e populacional é tão rápido que supera as melhorias e o dano ambiental total aumentou. “Observamos que entre 2000 e 2011, o número de espécies de aves ameaçadas devido ao uso do solo aumentou em até sete por cento. Durante o mesmo período, o planeta perdeu seis por cento do seu potencial para absorver CO2 do ar. Isso ocorre porque a vegetação de áreas de cultivo recém-criadas não é capaz de absorver tanto carbono quanto os habitats naturais”, explica Henrique Pereira.

 

Os autores verificaram também que enquanto a perda de biodiversidade ocorre quase inteiramente nas regiões tropicais, as taxas de sequestro do carbono nos ecossistemas estão a diminuir em todo o mundo, mas que um quarto do declínio do sequestro de carbono é devido ao uso de terras agrícolas e florestais na Europa e na América do Norte.

 

Como ser sustentável?

Outra questão abordada pelos investigadores foi o comércio global e seu impacto na biodiversidade e nos ecossistemas. Um hambúrguer, por exemplo, vendido nos países do hemisfério Norte é feito de carne de gado criado em pastagens da América do Sul, ou alimentado com soja da América do Sul. Para este propósito, as florestas tropicais são desmatadas e a biodiversidade original é destruída. Desta maneira, 90% da destruição ambiental causada pelo consumo de produtos agrícolas nos países desenvolvidos, por exemplo, acaba por acontecer em outras regiões.
No período de 11 anos deste estudo, a criação de gado foi identificada como a principal responsável pela destruição da biodiversidade. No mesmo período, o cultivo de espécies destinadas à produção de biocombustíveis, uma alternativa aos combustíveis fósseis promovida como forma de combater as alterações climáticas, aumentou de maneira significativa na Ásia e América do Sul.


Os investigadores defendem que uma redução no crescimento populacional é essencial para alcançar os objetivos da Agenda de Desenvolvimento Sustentável da ONU, o que deverá beneficiar tanto a sociedade quanto a natureza. Ao mesmo tempo, os países desenvolvidos deveriam ter mais em conta sua responsabilidade pela destruição da biodiversidade em outras partes do mundo e o impacto de suas políticas climáticas no uso global da terra. "O quadro de quem está a causar a perda de biodiversidade mudou drasticamente em pouco tempo", conclui Henrique Pereira. Não é nem o Norte nem o Sul - são os dois. Precisamos de uma política ambiental que trate as mudanças climáticas e a biodiversidade em conjunto", recomenda Pereira.

 

 

Artigo original: Marques A, Martins IS, Kastner T, Plutzar C, Theurl MC, Eisenmeger N, Huijbregts MA, Wood R, Stadler R, Bruckner M, Canelas J, Hilbers J, Tukker A, Erb K, Pereira HM (2019) Increasing impacts of land use on biodiversity and carbon sequestration driven by population and economic growth. Nature Ecology and Evolution, DOI:10.1038/s41559-019-0824-3

 

 

Imagens:

Imagem 1. A produção de óleo de palma é considerada, actualmente, a actividade cujos impactos na biodiversidade estão a crescer mais rapidamente a nível global | Créditos de imagem: HUTAN-KOCP

 

 

Posted in 2019-03-04