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ESTRADAS VS. CARNÍVOROS
A equipa da Cátedra Infraestruturas de Portugal (IP) em Biodiversidade/CIBIO-InBIO tornou recentemente públicos os resultados da primeira avaliação global do impacto da exposição a estradas em mamíferos carnívoros terrestres.
 

Combinando pela primeira vez dados da biologia das espécies, biogeografia, uso do solo e modelos de dinâmica de populações, este novo estudo, publicado recentemente pela prestigiada revista científica Global Ecology and Biogeography, demonstra que os felinos e os ursos estão entre os animais mais afectados pelas redes rodoviárias.
Para além disso, a análise efectuada revela que quase um terço destas espécies não se encontram assinaladas como ameaçadas por estas infraestruturas e que o risco de extinção a elas associado é real mesmo em regiões de baixa densidade de estradas.

 

AS ESTRADAS COMO AMEAÇA

As infraestuturas rodoviárias constituem uma causa de morte para várias espécies, actuando também como uma barreira a algumas migrações. As estradas podem subdividir populações de animais, reduzindo consequentemente os seus números e a sua viabilidade.
A crescente rede de estradas edificada um pouco por todo o mundo representa, por isso, uma emergente ameaça global à conservação da biodiversidade. Como tal, torna-se necessário minimizar os seus efeitos negativos e assegurar a preservação a longo prazo das diversas espécies que são por ela afectadas.

 

UM ESTUDO INOVADOR

O estudo, coordenado pelos investigadores Ana Ceia Hasse, Luís Borda de Água e Henrique Miguel Pereira, Cátedra IP/CIBIO-InBIO, e agora publicado pela Global Ecology and Biogeography, surge no contexto da colaboração com as instituições alemãs iDiv - German Centre for Integrative Biodiversity Research e Martin-Luther University e com o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas. Nele, são quantificadas a densidade da rede de estradas existente à escala mundial e a distribuição de cada espécie em relação à mesma. Tal como Ana explica, “este inovador modelo integra pela primeira vez dados da biologia das espécies, de biogeografia e de uso do solo, assim como modelos de dinâmica de populações, permitindo avaliar a vulnerabilidade das espécies à distribuição de estradas”.

 

PERTO DA EXTINÇÃO

Os resultados deste estudo sugerem que os carnívoros com maior exposição a estradas pertencem, sobretudo, às famílias dos felinos e dos ursos, embora haja muitos outros igualmente em risco. Mas mais alarmante é a constatação de que “aproximadamente um terço destas espécies não estão assinaladas pela União Internacional para a Conservação da Natureza como sendo ameaçadas pelas infraestruturas rodoviárias”, refere Ana.
Este estudo revela um dado surpreendente: é que, para além da esperada exposição significativa em áreas com maior densidade de rodovias, as populações de animais estão igualmente vulneráveis em zonas onde a ocorrência de estradas é relativamente baixa. Este modelo, que projecta o tempo de extinção de algumas espécies em menos de 100 anos, identifica o Lince-Ibérico, uma das espécies mais emblemáticas em território nacional, como um dos casos mais preocupantes.

 

NOVAS PRIORIDADES

Ao sinalizar, a uma escala global, onde e de que formas as espécies são mais afectadas pelas redes de estradas existentes, este tipo de avaliação poderá ser utilizado na identificação de áreas prioritárias de conservação. Desta forma, “torna-se possível implementar soluções eficientes, tais como vedações e passagens para animais, ao mesmo tempo que se contribui para uma projecção mais eficiente dos efeitos de novas estradas”, afirma Ana.
Finalmente, este estudo realça ainda a necessidade da reavaliação do estatuto e ameaças emergentes para as espécies que não estão reconhecidas como estando fortemente ameaçadas pelas estradas.

 

Artigo original:
Ceia-Hasse A, Borda-de-Água L, Grilo C, Pereira HM (2017) Global exposure of carnivores to roads. Global Ecology and Biogeography. DOI: 10.1111/geb.12564.

 

Imagens:
Figura 1. O lince-ibérico (Lynx pardinus) é uma das espécies mais expostas a estradas a nível global, e é afectada em toda a sua área de distribuição. Créditos: Programa de Conservación Ex-situ del Lince Ibérico.
Figura 2. O urso-pardo (Ursus arctos) é outra espécie emblemática que está também entre as espécies mais expostas a estradas a nível global. Créditos: Hans / Pixabay.com
Figura 3. O lobo (Canis lupus) está entre os 25% de espécies mais afectadas por estradas. Créditos: raincarnation40 / Pixabay.com

 

Posted in 2017-02-08